Entrevistas

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Carlos Alberto Zamprogna (Advogado)


1-Como você se sente por ter escolhido essa profissão?

Muito feliz, principalmente porque tenho muito prazer em exercer a advocacia. É uma profissão que requer foco, constante aperfeiçoamento e muita força de vontade – e por essas razões que busco trabalhar e estudar muito, de forma a ampliar meus conhecimentos e alcançar o reconhecimento na minha área de atuação. Igualmente, traz inúmeras alegrias, como quando conquista-se um êxito processual, quando busca-se corrigir alguma injustiça, quando sua tese é acolhida e/ou reconhecida no meio jurídico, e, principalmente, por sentir que se está efetivamente colaborando na construção de uma coletividade melhor e mais justa.


2-Como você descreveria sua profissão?

Se trata de um das profissões mais competitivas do mercado. Apesar de existirem muitos advogados, há pouco espaço (e consequentemente, remuneração) para aqueles que não se especializam ou não possuem pleno domínio das áreas em que atuam.
O direito requer muito preparo e exclui automaticamente aqueles que não se mostram à altura dos desafios que surgem. E é em razão da forte concorrência, que muitos bachareis em direito procuram a estabilidade dos concursos públicos. A advocacia apresenta um novo desafio a cada dia que passa. Por isso, penso que para exercer a advocacia também é necessário muita paixão e dedicação pelo trabalho, além de ter um forte senso de civismo e justiça – dadas as importantes prerrogativas e funções sociais conferidas ao Advogado.


3-Fale sobre seu currículo.

Sou funcionário concursado do Banco do Brasil S.A. e advogado da carreira jurídica da empresa desde 2012. Graduado pela Unochapecó (Universidade Comunitária Regional de Chapecó – SC) e especialista em Direito Internacional pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – RS). No momento, também estou terminando curso de especialização em Processo Civil pela Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina). Também participei de diversos cursos de extensão no Brasil e no exterior, dos quais destaco os seguintes: Direito Econômico Internacional pelo WTI (World Trade Institute) na Suíça;  Direito Financeiro Internacional pela LSE (London School of Economics and Political Science) na Inglaterra e Política Externa Brasileira pela UnB (Universidade de Brasilia). Tenho muito interesse em dar aulas, porém as atividades profissionais e pessoais não me permitem concretizar este sonho neste momento.


4-Como foi seu processo de escolha?

Minha escolha pelo direito não foi das mais tranquilas, porque no início da faculdade eu não pensava em seguir a carreira de advogado, nem mesmo em prestar concursos públicos em áreas estritamente jurídicas. Como trabalho no setor financeiro desde os 18 anos, sempre tive muito interesse pela área econômica e empresarial, bem como pela própria Administração e políticas públicas. Depois de me formar, fui transferido  para Porto Alegre (RS) para trabalhar na área de câmbio e comércio exterior do Banco do Brasil, e estudar para a carreira diplomática, que foi meu sonho, por um breve período. Após ser aprovado em concurso interno para o cargo de Advogado do Banco, assumi minhas funções na minha cidade natal (Chapecó – SC) e estou cada dia mais realizado e empenhado na profissão que exerço.


5-Como foi seu curso superior? (se vc quiser falar um pouco das disciplinas é interessante)

Como vários outros cursos superiores, o meu teve seus altos e baixos. Dentre os altos, destaco as matérias que mais me instigaram (que foram Direito Constitucional, Administrativo e Internacional), bem como os professores que mais me inspiraram, que foram os Drs. Carlos Zamprogna (meu querido pai, Professor de Direito Constitucional e Administrativo – cuja honra de ser aluno em sala de aula não me foi possível, mas que por outro lado, diariamente me dá importantes lições com toda sua experiência e conhecimentos jurídicos), e o Prof. Renato Rezende (Procurador da República em Chapecó) – que foi meu professor da disciplina de Processo Penal III, e cujas aulas foram um paradigma de mudança e um importante despertador para a importância do estudo e da seriedade com que o direito deve ser encarado. Quanto à parte negativa, destaco o arrependimento por não ter me dedicado mais na época da graduação e a forma leve e despreocupada com que levávamos as aulas (características inerentes da juventude), mas cujas faltas foram cobradas posteriormente, no exercício da advocacia. Por outro lado, destaco a precariedade de algumas aulas e a falta de preparo e estrutura de algumas universidades, que acabam por não preparar adequadamente o acadêmico de direito. Assim, verifica-se um perigoso cenário, professores que não ensinam bem e alunos que não buscam o aprendizado. E a permanecer tal combinação, é praticamente certo o despreparo com que o graduado ingressará no acirrado mundo profissional.


6-O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?

Meu conselho para os acadêmicos ou quem deseja estudar direito é buscar estudar e conhecer o direito cada vez mais, aprofundar-se independentemente daquilo que é ministrado na faculdade (que hoje em dia é muito básico) e verificar se realmente é esta área que deseja trabalhar para o resto da vida. Pois na minha opinião pessoal, também não adianta cursar direito visando apenas um concurso público e uma estabilidade financeira, se a área não lhe agrada ou se você não detiver as habilidades necessárias para o exercício da profissão. O direito é uma ciência humana e social que busca pacificar e solucionar os conflitos entre os indivíduos, que busca a justiça social e a defesa dos interesses e direitos dos cidadãos. E é deste espírito que o advogado deve estar imbuído, conhecedor de suas prerrogativas e importante papel na sociedade. Caso contrário, não contribuirá em nada com a sociedade que vivemos.


7-Pontos positivos e negativos da área.

Os pontos positivos são a possibilidade de fazer a diferença, de buscar a justiça, de satisfazer os interesses dos clientes e solucionar controvérsias. Os campos de atuação são muito vastos e há espaço para toda espécie de profissional – seja no direito do consumidor, trabalhista, empresarial, bancário, cível, penal, público, dentre tantos outros. Há espaço na advocacia pública e privada. Há como trabalhar em prol dos menos favorecidos e também como ganhar muito dinheiro para grandes empresas ou em grandes litígios. Há como alcançar estabilidade financeira, seja no serviço público ou privado. Por meio do direito é possível ajudar os outros, buscar a justiça e contribuir para um mundo melhor. Também existem oportunidades na docência, na pesquisa e em diversas áreas correlatas. Para mim, a amplitude que a formação em direito oferece e a possibilidade de compreender os mais variados aspectos da sociedade em que vivemos é um dos maiores pontos positivos da área. Quanto a pontos negativos, destaco a forte concorrência, o despreparo e desvios de conduta de alguns colegas, a baixa remuneração do jovem advogado em início de carreira, os sacrifícios pessoais que a profissão às vezes exige, e, aos concurseiros, a extrema dificuldade de aprovação em concursos públicos, que deve ser encarada com muita seriedade e dedicação.


8-Algo mais que queira acrescentar?

Grato pela oportunidade. Espero ter contribuído com minhas percepções e inspirar as pessoas com o interesse pela área jurídica.


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