Entrevistas

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Patrick Zawadzki (Educador FŪsico)


Como você se sente por ter escolhido essa profissão?
Contente. Sempre busco chegar no final do dia pensando que foi um dia produtivo, e me sinto digno ao ver que continuo com foco no meu objetivo de difundir e desenvolver a Educa√ß√£o F√≠sica atrav√©s de uma Educa√ß√£o para a Sa√ļde, em qualquer √Ęmbito que estiver atuando.¬†

Como você descreveria sua profissão?
Acho que não existe melhor adjetivo que SUADA, literalmente. Esta profissão além de exigir do profissional uma carga de esforço físico em conexão com diversas áreas do conhecimento, também exige do profissional inteligência emocional para ajustar comportamentos, não só os próprios, como também os de seus alunos, clientes ou pacientes. A profissão como objeto institucional é recente, sua regulamentação federal iniciou em 1997, e por isso, ainda há muito trabalho por fazer.

Fale sobre seu currículo.
√Äs vezes fico em d√ļvida se a pessoa que apresentam nos cursos por onde passo sou eu mesmo, mas lembro que tudo que fiz sempre ocorreu de maneira natural. Hoje sou Doutorando em Educa√ß√£o F√≠sica, Atividade F√≠sica e Esporte, pelo Instituto Nacional de Educa√ß√£o F√≠sica da Catalunya, local onde passei quase uma d√©cada realizando trabalhos de pesquisa em conjunto com excelentes profissionais que me mostraram o qu√£o grande a Educa√ß√£o F√≠sica pode ser. Antes disso, conclu√≠ dois cursos de Mestrado, um em Educa√ß√£o F√≠sica e outro em Psicologia do Esporte. Tamb√©m conclu√≠ tr√™s cursos de p√≥s-gradua√ß√£o e deixei outro em aberto. E tudo come√ßou com os t√≠tulos de Licenciatura e Bacharel em Educa√ß√£o F√≠sica. Paralelo a tudo isso sempre esteve presente o esporte, principalmente o T√™nis, o qual cheguei ao n√≠vel profissional, atuando como treinador.

Como foi seu processo de escolha profissional?
Comecei a atuar como professor após ter perdido uma partida em um campeonato de tênis, quando chegaram alguns membros do clube onde estava e perguntaram se eu os podia ajudar com o seu golpe de revés (backhand), aceitei na hora simplesmente porque era remunerado. Entretanto, só decidi optar decididamente pelo curso após ter cursado dois anos de Fisioterapia, quando alguns professores começaram a me apontar como o futuro professor de Fisioterapia Esportiva. Neste momento, comecei a dar-me conta da minha real vocação.

Como foi seu curso superior?
Turbulento. Conciliar trabalho, treinamento e viagens n√£o √© f√°cil. Infelizmente, as Universidades por onde passei n√£o estavam preparadas para ajustar-se √† vida de atleta e treinador. Raz√£o que me obrigou a levar sete anos para me formar. Durante o curso das disciplinas sempre notei estar em uma posi√ß√£o diferente da maioria dos colegas, sempre tive claro que queria estar ali, e sempre olhava o curso objetivamente com foco em como tirar mais de meus atletas, jogadores, alunos e de mim mesmo. Todas as disciplinas voltadas para o treinamento, naquela √©poca, me chamavam mais a aten√ß√£o, como por exemplo, biomec√Ęnica, fisiologia do exerc√≠cios, treinamento esportivo, al√©m¬† de todas as disciplinas esportivas, √© muito interessante estabelecer rela√ß√Ķes entre a maneira de treinar em um esporte com o outro. Por exemplo, o treinamento de pernas para o t√™nis √© muito similar ao do futebol, percebi isso em uma visita √† um clube de primeira divis√£o, principalmente quando notei que no clube haviam quadras de t√™nis para os jogadores. √Ä medida que fui avan√ßando no curso, comecei a notar que a diferen√ßa real entre os jogadores j√° n√£o era mais no qu√£o forte, r√°pido ou t√©cnico eles eram, sen√£o no qu√£o inteligentes, disciplinados e educados no sentido de buscar sempre o melhor de si. Motivo que abriu meus olhos para as disciplinas humanas do curso, como Pedagogia, Did√°tica e Psicologia. Hoje, j√° noto a import√Ęncia do profissional de Educa√ß√£o F√≠sica ter uma compreens√£o maior do fen√īmeno esportivo para conseguir tomar melhores decis√Ķes na hora de planejar suas atividades. Por isso, me arrependo de n√£o ter aproveitado, j√° nos anos iniciais, as disciplinas de epistemologia, hist√≥ria e filosofia do esporte. No entanto, ao continuar buscando aperfei√ßoar-me, preenchi estas lacunas de minha forma√ß√£o com os cursos de p√≥s-gradua√ß√£o, e hoje, tenho planejado cursar, se tudo correr bem, um doutorado a cada 5 ou 10 anos.

O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?
Que abrace o que fizer com toda a sua energia, produza o máximo que puder, esteja sempre aprimorando-se, e jamais, jamais mesmo, desista de seus sonhos. 

Pontos positivos e negativos da √°rea.
Ahhh, a lista √© grande. Me convida para um caf√© que eu te conto. Mas para aqueles que est√£o pensando em escolher esta profiss√£o, posso assegurar que o que √© bom para uns √© ruim para outros. S√≥ ter√°s certeza do que √© bom e do que √© ruim quando provares. Os pontos positivos mais importantes s√£o: a energia positiva do ambiente de trabalho que se produz quando o foco √© produzir sa√ļde, treinamento e aprendizagem, com retorno imediato dos alunos; e a possibilidade de atingir ganhos acima da m√©dia quando o profissional √© capaz de trabalhar bem. E quanto aos pontos negativos, ressalto em primeiro lugar as condi√ß√Ķes de trabalho n√£o ideais na maioria das institui√ß√Ķes e empresas, como falta de registro profissional e instala√ß√Ķes inapropriadas para o desenvolvimento do trabalho; e em segundo, a inefic√°cia das administra√ß√Ķes p√ļblicas em gerir o esporte, j√° que o modelo vigente insiste em ser paternalista.


"Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde vai." Sêneca
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